segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Modernização do INPI na década de 1970: o projeto PNUD

Segundo Leandro Malavota [1]A reunião do PCT é, portanto, o primeiro momento mais significativo de interação entre agentes de diferentes esferas da burocracia estatal visando ao tratamento do campo da Propriedade Industrial e Transferência de Tecnologia — no caso, as áreas diplomáticas e militares. Se até então o que existia era uma série de pequenos grupos, estanques entre si — fosse nas Forças Armadas, nos Ministérios, Institutos de pesquisa ou universidades —, a partir dali passou-se a promover uma junção de esforços entre distintos segmentos — civis e militares —, tendo em vista o planejamento de uma ação para o engendramento da capacitação científico-tecnológica nacional”.
A adesão do Brasil ao PCT no início de sua fase operacional acarretou de imediato inúmeras considerações por parte de diversos setores da sociedade. Parte da sociedade considerou tal adesão como uma atitude precipitada voltada unicamente para o atendimento ao interesse dos usuários estrangeiros. Alegava-se que o nível de complexidade das disposições do Tratado traria dificuldades na sua implementação, considerando-se as condições do INPI à época.
Sob a ótica do governo brasileiro, o PCT, concluído em 1970 e ratificado pelo Brasil em 1978, apresentava uma oportunidade ímpar para a modernização do INPI. Os benefícios imediatos que o PCT poderia trazer ao Brasil não se limitariam a facilitação de um depósito internacional de patentes, mas, constituiria ferramenta importante para a cooperação para a modernização do sistema de patentes brasileiro sobretudo naquele momento, considerando as disposições no capítulo IV do Tratado relativas aos serviços de assistência técnica e cooperação aos países em via de desenvolvimento.
O projeto de modernização do sistema de patentes, iniciado no início da década de 70 estendeu-se até meados da década de 80 e foi implementado através do projeto PNUD com participação da OMPI. O projeto possibilitou ao Brasil a formação de cerca de 150 especialistas em classificação, busca e exame de patentes, treinados no Brasil por técnicos provenientes dos escritórios de patentes de vários países, tais como, Estados Unidos, Inglaterra, Japão, Áustria, Dinamarca e da EPO, além da formação do banco de patentes no CEDIN.
O chamado “Projeto PNUD” [2] tinha como um de seus objetivos a formação de um corpo técnico permanente para a execução das funções de classificação, informação, busca e exame de patentes. Seu prazo de duração seria inicialmente de cinco anos, com início previsto para abril de 1973 com orçamento estimado de 25 milhões de dólares[3]. O cronograma inicial não foi cumprido, sendo o projeto interrompido na segunda administração do órgão e posteriormente retomado em 1977 na gestão do presidente do INPI Ubirajara Quaranta Cabral.
 
 
Thedim Lobo - primeiro presidente do INPI
 


[1] MALAVOTA, Leandro Miranda. Patentes, marcas e transferência de tecnologia durante o regime militar: um estudo sobre a atuação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (1970-1984). Dissertação (Mestrado em História Social) — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Departamento de História, Programa de Pós-graduação em História Social, Rio de Janeiro. 2006. p. 127.
 
[2] MALAVOTA, Leandro Miranda. Patentes, marcas e transferência de tecnologia durante o regime militar: um estudo sobre a atuação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (1970-1984). Dissertação (Mestrado em História Social) — Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto de Filosofia e Ciências Sociais, Departamento de História, Programa de Pós-graduação em História Social, Rio de Janeiro. 2006. p. 197.
 
[3] http://web.undp.org/execbrd/archives/bluebooks/1970s/E-5185%20Rev1.PDF

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