O relatório analisa a participação das mulheres na atividade inventiva mundial, usando dados de pedidos internacionais de patente (PCT) entre 1999 e 2020. O objetivo é medir o “gender gap” (diferença de gênero) na inovação e identificar como ele varia por região, país, setor e área tecnológica.
2. Principais resultados globais
Participação feminina
-
Apenas 23% das patentes internacionais incluem ao menos uma mulher inventora.
-
Mulheres representam 13% de todos os inventores listados.
-
A contribuição feminina equivale a cerca de 10% das patentes globais.
Tendência ao longo do tempo
A participação feminina cresceu gradualmente:
-
~20% das patentes tinham inventoras em 2000
-
~30% em 2020
Mesmo assim, o avanço é lento.
Previsão de igualdade
Mantendo o ritmo atual:
-
Paridade de gênero (50% inventoras) só deve ocorrer por volta de 2061.
3. Diferenças regionais
A participação feminina varia por região.
Participação aproximada de mulheres inventoras:
-
América Latina e Caribe: ~21% (mais alta)
-
Ásia: ~17%
-
América do Norte: ~15%
-
Europa: ~14%
-
África e Oceania: ~13%
A Ásia apresentou o crescimento mais rápido nas últimas décadas.
4. Diferenças por área tecnológica
As mulheres estão concentradas em algumas áreas científicas.
Maior participação feminina
-
Biotecnologia
-
Química de alimentos
-
Farmacêutica
Nessas áreas a participação pode chegar a cerca de 30%.
Menor participação
-
Engenharia mecânica
-
Máquinas e transporte
-
Tecnologias industriais tradicionais
Em alguns desses campos, mulheres representam menos de 10% dos inventores.
5. Academia vs. setor privado
O estudo mostra uma diferença importante:
-
Academia: ~21% de inventoras
-
Empresas: ~14% de inventoras
Ou seja, universidades e institutos de pesquisa são mais inclusivos que o setor industrial.
No entanto, a maioria das patentes ainda vem de empresas, o que reduz o impacto dessa maior participação feminina na academia.
6. Composição das equipes de inventores
Outro resultado relevante:
-
Equipes somente de mulheres são raras (cerca de 4% das patentes).
-
A maioria das patentes vem de:
-
equipes só de homens, ou
-
equipes majoritariamente masculinas.
-
As mulheres aparecem com mais frequência:
-
em equipes dominadas por homens, ou
-
trabalhando sozinhas, mais do que em equipes majoritariamente femininas.
7. Países com maior participação feminina
Entre os grandes países depositantes de patentes, destacam-se:
-
Espanha
-
Colômbia
-
Brasil
Nesses países, cerca de 22–26% dos inventores são mulheres. No ranking de empresas mais inclusivas em termos de inventoras, a empresa brasileira Natura Cosméticos aparece como a mais inclusiva do mundo quando se considera um subconjunto de empresas analisadas.
Os números citados são impressionantes:
-
84,1% dos inventores são mulheres
-
97,9% das patentes têm pelo menos uma inventora
-
84,1% das patentes são atribuídas a mulheres
Ou seja, na amostra analisada, a Natura aparece até mais inclusiva que a empresa francesa L'Oréal, que é normalmente considerada líder em cosméticos.
⚠️ Porém o relatório faz uma ressalva importante:
algumas empresas dessa lista têm menos de 100 patentes no período, o que pode tornar as estatísticas menos robustas. O relatório explica que países com forte participação acadêmica nas patentes tendem a ter mais mulheres inventoras.
E na América Latina:
universidades e institutos públicos têm participação maior no sistema de patentes.
Isso ajuda a explicar o caso brasileiro.O relatório destaca que a UNICAMP aparece no topo das instituições acadêmicas mais inclusivas do mundo.
Dados da universidade:
47,3% dos inventores são mulheres
81,6% das patentes incluem ao menos uma mulher inventora
47,1% das patentes são produzidas por mulheres
Ou seja, quase paridade de gênero nas patentes da universidade.A WIPO observa que América Latina e Caribe têm uma participação feminina relativamente alta, o que pode ajudar a entender fatores que promovem maior inclusão em inovação.
Esses fatores podem incluir:
maior papel das universidades
presença de áreas como química, biotecnologia e farmacêutica
equipes menores de pesquisa
8. Conclusão
O relatório conclui que:
-
A participação feminina na inovação está crescendo, mas permanece significativamente menor que a masculina.
-
As diferenças dependem de região, área tecnológica e setor econômico.
-
Políticas públicas e institucionais são necessárias para acelerar a inclusão de mulheres na atividade inventiva.
Sem mudanças estruturais, a igualdade de gênero em patentes só deve ocorrer em meados do século XXI.
https://www.scielo.br/j/sdeb/a/3wJM8jytstPSzLqgGRBGLMB/?lang=pt
A presença de mulheres na atividade de
patenteamento no Brasil (1996-2017)
The presence of women in patenting activities in Brazil (1996-2017)
Nara Azevedo1, Antônio Carlos Souza de Abrantes
O artigo analisa a participação das mulheres no sistema de patentes brasileiro entre 1996 e 2017, utilizando dados de pedidos de patente e concessões publicados na Revista da Propriedade Industrial (RPI) do INPI. O objetivo é compreender melhor o papel das mulheres na produção de conhecimento tecnológico no Brasil. O estudo mostra que homens predominam amplamente entre os inventores.
Patentes apenas com mulheres representam cerca de 2,8% das patentes concedidas no período analisado.
Nos pedidos de patente, esse valor chega a 4,2%.
Ou seja, existe uma forte desigualdade de gênero no patenteamento.
Apesar da desigualdade, houve crescimento gradual da presença feminina:
A participação de mulheres entre inventores no Brasil passou de 11% (1996-2000) para 19% (2011-2015).
Esse aumento acompanha a tendência internacional de maior inclusão feminina no sistema de patentes.
O crescimento ocorre principalmente em equipes de inventores com homens e mulheres.
As patentes com equipes mistas cresceram mais do que aquelas formadas apenas por mulheres.
Isso indica que a participação feminina ocorre frequentemente em colaboração com equipes maiores.
A maior presença feminina ocorre em áreas como:
-
química
-
biotecnologia
-
produtos farmacêuticos
-
engenharia química
Nenhum comentário:
Postar um comentário