segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Divergência na análise de dados clínicos na EPO e UPC

 

T 1041/23, did the Opposition Division violate the right to be heard? www.lexology.com 08/01/2026 NLO EPO Case Law Team

Resumo – T 136/24 (EPO) e decisões UPC sobre o EP 2 493 466

As decisões recentes da EPO (T 136/24) e da UPC (Divisão Local de Munique) analisaram se o anúncio de um ensaio clínico de fase III (TROPIC) poderia retirar o passo inventivo de uma patente relacionada ao uso do cabazitaxel + prednisona no tratamento de câncer de próstata metastático resistente à castração (mCRPC).

Contexto comum

  • A patente EP 2 493 466 refere-se ao uso terapêutico do cabazitaxel, já conhecido, em pacientes com mCRPC previamente tratados com docetaxel.

  • O estado da técnica incluía:

    • Resultados limitados de fase I (tumores sólidos, poucos pacientes com câncer de próstata).

    • Um estudo de fase II em câncer de mama.

    • O anúncio do ensaio clínico de fase III TROPIC, sem dados de resultados à data de prioridade.

Ambas as instâncias consideraram o anúncio do ensaio TROPIC como o estado da técnica mais próximo.


Divergência central: expectativa razoável de sucesso

Posição da EPO – T 136/24

  • O Conselho de Apelação entendeu que, em estudos clínicos, “sucesso” significa atingir o objetivo primário, neste caso, aumento da sobrevida global.

  • Concluiu que não havia expectativa razoável de sucesso, porque:

    • Dados pré-clínicos e de fase I eram escassos, indiretos e não conclusivos.

    • Não existiam dados relevantes de fase II para câncer de próstata.

    • A simples existência de um ensaio de fase III não cria presunção automática de sucesso.

    • A elevada taxa de falha de ensaios de fase III, especialmente em oncologia, pesava negativamente.

  • Resultado: reconhecimento de passo inventivo e manutenção da patente.


Posição da UPC – Divisão Local de Munique

  • O LD de Munique formulou o problema técnico de forma mais ampla: fornecer uma opção terapêutica, incluindo tratamento paliativo, e não necessariamente aumento comprovado de sobrevida.

  • Considerou que havia expectativa razoável de sucesso, com base em:

    • O ensaio TROPIC estar aprovado, avançado e próximo da conclusão, sem interrupções.

    • A ausência de eventos negativos publicados durante quase todo o ensaio.

    • A prática comum em oncologia de iniciar fase III com dados limitados de fases anteriores.

    • Depoimentos de especialistas, que reforçaram a expectativa de êxito.

  • Resultado: revogação da patente por falta de passo inventivo.


Conclusão comparativa

  • A EPO adota um critério mais restritivo, exigindo expectativa razoável de alcançar o objetivo clínico principal.

  • A UPC adotou um critério mais flexível, valorizando o andamento avançado do ensaio clínico e uma noção mais ampla de “sucesso”.

  • As decisões demonstram uma divergência estrutural na avaliação do passo inventivo quando a técnica anterior envolve anúncios de ensaios clínicos.

  • O caso evidencia a dificuldade de prever a validade de patentes farmacêuticas depositadas antes da divulgação de resultados clínicos, podendo incentivar maior uso de provas periciais no futuro.

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