domingo, 17 de dezembro de 2017

Patentes de modelo de utilidade na China

Eric Warner analisa o crescimento de depósitos de modelos de utilidade na China.[1] Desde o final dos anos 1990 os depósitos de patente da China têm crescido uma média de 34% resultando em um aumento de 16 vezes desde 2000. Paralelamente o crescimento chinês tem diminuído após 2008, o que mostra um aparente paradoxo o fato dos depósitos de patentes continuarem aumentando, pois, estudos mostram uma correlação entre crescimento econômico medido em termos de TFP Total fator Productivity e patentes (Maskus and McDaniel 1999; Ulku 2004; Abdih e Joutz 2006). (Zuniga, Guellec et al. 2009 mostram que o valor das patentes é altamente assimétrico: enquanto algumas poucas patentes têm elevado comercial outras não possuem qualquer valor comercial. Comparando as taxas de nulidade de patentes da China com outros países mostram que em 2009 enquanto menos de 5% receberam pedidos de anulação na EPO, na China este índice é menor que 1%. No Japão em 2001 este índice era de 4%. Em 2002 foram aproximadamente 1.3% pedidos de nulidade entre as patentes concedidas. Os dados mostram que as taxas de invalidação na China são bem menores do que em outros países. Uma parte significativa do incentivo de novos depósitos de patentes tem origem na política governamental de subsídios ao patenteamento no nível municipal ou provincial. Usando a cidade de Zhangjiagang entre 2004-2007 Lei e Sun mostram que a política de subsídios tem uma correlação positiva com o número de depósitos, contudo, a maior parte destas patentes e de baixa qualidade, medida pelo decrescente número de reivindicações por pedido. O estudo mostra que os depositantes na época anterior a esta política não se queixavam dos custos das patentes omo aspecto inibidor ao patenteamento, o que confirma que a política fez aumentar o número de patentes de baixa qualidade, patentes que não teriam sido depositados caso a política de subsídios não existisse. O sistema de PI chinês parece alinhado com a disseminação da inovação ao invés da criação de inovação. Limiares de patenteabilidade baixos e frágil enforcement de tais patentes são um cenário consistente com um país que não está na fronteira tecnológica. Uma evidência sugestiva do frágil enforcement das patentes concedidas é fornecido pelas taxas de invalidação das patentes. Dos pedidos de invalidação das patentes de modelo de utilidade chinesas 31.82% resultaram na manutenção da patente, 11.53% na nulidade parcial, e 33.26% na nulidade total (a soma não resulta em 100% porque muitos casos as partes chegam a um arquivo e o processo não chega a uma conclusão sobre a validade da patente). Estes índices são muito próximos aos de uma patente de invenção. Na medida em que a China se aproxima desta fronteira tecnológica em muitos setores os incentivos para uma proteção mais forte devem aumentar. A política atual se por um lado promove a cultura da propriedade indústria por outro lado pode limitar os incentivos para inovação diante de patentes frágeis. As emendas promovidas na lei chinesa em 2000 não parecem ter a ver com este aumento de depósitos assim como qualquer aumento nos gastos em P&D o que nos leva a concluir que tal aumento seja explicado por uma deliberada política pública de promoção do patenteamento pelo uso de subsídios. O aumento do nível de inventividade exigido para concessão de patentes promovido na reforma da lei em 2009 poderá contribuir para promoção da qualidade das patentes concedidas, pela diminuição das taxas de concessão assim como das taxas de anulação das patentes concedidas. O aumento da qualidade das patentes domésticas através de incentivos para um sistema de patentes mais forte é um fator importante para estimular o crescimento econômico chinês.




[1] WARNER, Eric. Patenting and Innovation in China Incentives, Policy, and Outcomes , 2015 https://www.rand.org/pubs/rgs_dissertations/RGSD347.html

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