sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Patente Europeia em 2016 ?

Em 29 junho de 2012 foi alcançado um acordo[1] de uma patente unitária e um sistema de litígio unificado, entre os países de Comunidade Europeia, exceto Espanha e Itália [2]. Em 2013 contudo a Itália mudou sua posição inicial e assinou o acordo. Espanha, Croacia e Polônia não assinaram o Acordo em 2013. Até janeiro de 2015 ratificaram o acordo apenas Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Malta e Suécia[3].  Para início da operação do acordo é precisa  ratificação de 13 países.  A expectativa é que o sistema deve entrar em vigor em 2016 com procedimentos de concessão e oposição substancialmente similares aos existentes junto à EPO. A necessidade de validação nacional da patente EP B1 deixa de ser necessária. Enquanto as ações de primeira instância continuam no âmbito nacional, enquanto que uma Corte de segunda instância para ações de recurso e validade de uma patente são resolvidas em uma Divisão Central localizada em Paris, com seções especializadas em Londres (química, incluindo farmacêuticos e ciências da vida) e em Munique (para engenharia mecânica).[4] Estima-se que com o acordo os gastos com litígio de patentes europeias sejam reduzidos em 289 milhões de euros por ano, assim como sejam reduzidos os gastos para obtenção de uma patente em cada país membro do Acordo.[5]

No entanto a medida encontrou resistência no Parlamento Europeu. O Instituto Max Plank divulgou estudo em outubro de 2012 que mostra que a patente comunitária pode representar uma fragmentação ainda maior do sistema de patentes europeu na medida em que o acordo não contempla todos os países da Comunidade Europeia. Desta forma conviveriam as patentes nacionais concedidas localmente, as patentes concedidas pela EPO dentro da patente comunitária, as patentes concedidas pela EPO mas não validadas pela patente comunitária devido a não ratificação do país ao acordo. Segundo o Instituto persistem diferenças nas legislações locais como os direitos de usuário anterior e a regulação de licenças compulsórias. O estudo também aponta os riscos de desfuncionalidade da Unified Patent Court (UPCt) proposta no Acordo.[6] O acordo final foi aprovado pelo Parlamento Europeu em votação de dezembro de 2012. Estimativas avaliam que os custos atuais de cerca de 36 mil euros para obtenção de uma patente válida em diferentes países europeus seja reduzida para apenas €4,725. A proposta foi aprovada por 25 do 27 países Membros da União Europeia, com oposição apenas de Espanha e a Itália em protesto contra a restrição dos idiomas de tramitação de tal patente e litígios no Tribunal Europeu a apenas inglês, alemão e francês, os três idiomas oficiais da EU, o que prejudicaria os interesses das empresas espanholas e italianas na defesa de seus direitos[7]

Ainda no âmbito da EPO, Marrocos anunciou em que a partir de março de 2015 poderão ser revalidadas as patentes EPB1 no país concedidas após esta data. Com isto Marrocos se torna o primeiro país não europeu a ter a revalidação de patentes EPB1. O acordo foi inicialmente estabelecido em dezembro de 2010 entre o presidente da EPO e o Ministro da Indústria de Marrocos, e deve ser efetivado em 2015. Outros países como Tunísia e Moldávia também estudam a adesão ao sistema, reforçando assim o papel da EPO no exame de patentes[8].  




[1] http://www.consilium.europa.eu/uedocs/cms_Data/docs/pressdata/en/ec/131388.pdf
[2] http://www.epo.org/news-issues/news/2012/20120629.html
[3] http://ec.europa.eu/growth/industry/intellectual-property/industrial-property/patent/ratification/index_en.htm
[4] http://www.patentdocs.org/2012/07/news-from-abroad-eu-patent-is-finally-born.html
[5] http://www.lexology.com/r.ashx?i=2881388&l=7GSVZ0M
[6] http://www.ip.mpg.de/en/pub/publications/opinions/unitary_patent_package.cfm#i53898
[7] http://www.europarl.europa.eu/news/en/headlines/content/20121203FCS04313/3/html/Parliament-approves-EU-unitary-patent-rules
[8] Validation of European patents in Morocco, 23/01/2015 http://www.lexology.com

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