quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Peer to patent na Inglaterra

Na Inglaterra o governo anunciou em 2010 o lançamento de um projeto piloto peer to patent com o objetivo de aumentar a qualidade do exame de patentes. A seção 21 do Patent Act já possibilita a apresentação por parte de terceiros antes da concessão, sem custos, tendo a divisão de exame a decisão final sobre a aceitação da relevância de tais subsídios cujos documentos de anterioridade apresentados são publicados no relatório de busca. O projeto piloto peer to patent contou com a participação da CIPA – Chartered Institute of Patent Attorneys e de blogs conhecidos na área de patentes para sua divulgação como IPKat e Patently-O. Um dos blogs o boingboing.net listou alguns dos pedidos do projeto o que fez aumentar bastante as contribuições para os pedidos específicos listados. O projeto contou com a contribuição da New York Law School dos Estados Unidos (para utilização da plataforma de software já desenvolvida) e com a experiência do escritório Australiano em projeto similar. Beth Noveck da New York Law School nos Estados Unidos foi o idealizar destes projetos peer to patent em artigo publicado em 2009.[1]

O projeto foi lançado em junho de 2011. Foram escolhidos 172 pedidos de patente (não foram incluídos pedidos PCT) na área de computação e os exames realizados entre outubro de 2011 e março de 2012. Os pedidos eram disponibilizados no site para receber comentários por 90 dias. Os colaboradores não poderiam submeter a cópia integral dos artigos, mas apenas as referências, por questões de direito de autor. Ao todo foram recebidas 450 colaborações (apesar das mais de 4700 visitas ao site), porém apenas 11 dos 172 pedidos receberam algum tipo de contribuição. Este índice de 6% ainda assim é superior ao índice de 0.002% encontrados no subsídio ao exame previsto na seção 21 do Patent Act. Destes 11 pedidos em 6 casos foram encontrados documentos considerados relevantes para o exame (em apenas 2 casos foram documentos relevantes não encontrados pelo examinador em suas buscas). Das 11 respostas 5 foram de literatura não patentária. Um relatório final sobre o projeto foi elaborado em se conclui que a interação e engajamento com organizações que atuam em propriedade industrial é vita para o êxito do projeto. A coleta de dados exige tempo e recursos. A conversão de dados em texto por OCR não funcionou a contento. O relatório de 2011 conclui que uma maior participação dos colaboradores exigiria investimentos para de alguma forma recompensar tais contribuições. Os resultados mostram uma contribuição incremental importante na capacidade do IPO em realizar buscas: “não foi surpresa notar que o efeito não foi dramático (foram poucos os documentos relevantes) – na verdade se fosse assim, isto levantaria sérias dúvidas sobre a qualidade do processo existente de exame”. O relatório aponta a experiência como promissora e indica como próxima etapa indicado no relatório é  incorporação deste projeto no IPO Online File Inspection Service (IPSUM) e investigar modos de incentivar mais comentários pela comunidade. No entanto, em função do custo/benefício do projeto esta proposta do relatório de incorporar este procedimento nas rotinas do IPO não foi efetivada até 2014.




Beth Noveck da New York Law School [2]



[1] http://www.brookings.edu/~/media/press/books/2009/wikigovernment/wikigovernment_chapter.pdf
[2] http://www.nyls.edu/faculty/faculty-profiles/faculty_profiles/beth_simone_noveck/

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